Na América Latina, comunidades indígenas, afrodescendentes, rurais e costeiras têm colocado em prática respostas concretas diante da crise climática. Mesmo assim, essas histórias quase não aparecem na mídia.
Reescrever o clima é um programa virtual de formação e mentoria organizado pela Climate Tracker América Latina que busca reverter essa tendência por meio do jornalismo de soluções — uma abordagem jornalística rigorosa que investiga respostas concretas diante de algum problema, analisa como funcionam, avalia evidências, identifica limites e contextualiza seu impacto real.
Na primeira fase, os jornalistas participarão de uma série de sessões virtuais. Em um período de três meses, as pessoas selecionadas terão acesso a capacitação especializada, acompanhamento editorial e à oportunidade de produzir reportagens baseadas em soluções comunitárias nos oito países da região.
O objetivo é publicar histórias que mostrem evidências, aprendizados e resultados, permitindo compreender como as comunidades latino-americanas enfrentam a crise climática por meio da ação, organização e justiça.
Por que “Reescrever o clima”?
A crise climática também é uma crise narrativa. Durante anos, a cobertura midiática se concentrou quase exclusivamente no desastre, na urgência e no conflito.
O jornalismo de soluções oferece uma alternativa:
- investiga como uma resposta funciona (ou não);
- identifica quem a impulsiona;
- revisa quais evidências existem;
- examina suas limitações;
- explica se pode ser replicada em outros territórios.
Este programa promove essa abordagem e a aplica a histórias climáticas comunitárias na América Latina.
Para quem é este programa?
Para jornalistas, comunicadores e repórteres que:
- trabalham temas socioambientais, comunitários ou territoriais;
- residem na Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, México ou Peru;
- desejam fortalecer habilidades narrativas com foco em soluções;
- buscam produzir reportagens com acompanhamento editorial especializado;
- tenham disponibilidade para participar das sessões virtuais da primeira fase.
Podem se inscrever jornalistas de redações, independentes, freelancers e estudantes do último ano da carreira.
Também aceitamos profissionais de áreas afins — como sociologia, letras, serviço social ou outras disciplinas ligadas a território, cultura ou meio ambiente — desde que demonstrem interesse real em jornalismo climático e narrativas comunitárias e intenção de publicar em um meio de comunicação.
Como funciona o programa?
Este é um programa totalmente gratuito. A Climate Tracker América Latina é uma organização sem fins lucrativos dedicada a promover um jornalismo climático mais forte na região.
O programa é dividido em duas fases:
Fase 1 – Formação: ciclo de webinars
Por meio de uma convocatória aberta, selecionaremos 20 profissionais dos oito países participantes. Durante quatro semanas, esse grupo assistirá a um ciclo de capacitações virtuais que abordará:
- princípios e metodologia do jornalismo de soluções;
- narrativas transformadoras e coberturas centradas em comunidades;
- investigação e uso de fontes comunitárias;
- ética e segurança no trabalho territorial;
- desenho e estrutura de histórias de soluções.
O programa contará com o time editorial da Climate Tracker América Latina e com convidados regionais que anunciaremos em breve.
O pitch
Ao final da fase 1, as pessoas participantes poderão enviar uma proposta (pitch) para uma reportagem inédita.
O pitch consiste em um texto de aproximadamente 200 a 300 palavras sobre uma história concreta, no qual você deverá detalhar:
Um enfoque claro: você deve propor uma história específica, e não um tema geral.
Possíveis fontes: pessoas, organizações ou comunidades às quais você poderá ter acesso.
Relevância da história: por que ela é importante e o que acrescenta ao debate público.
Você pode ler nosso guia sobre como apresentar um pitch à Climate Tracker e assistir ao nosso webinar sobre como falar com um editor ou editora.
Fase 2 – Mentoria e produção de reportagens
Das 20 pessoas iniciais, selecionaremos 4 profissionais para a fase avançada.
Cada participante receberá:
- mentoria editorial personalizada;
- apoio no planejamento do trabalho de campo e da estrutura narrativa;
- orientação durante investigação e entrevistas;
- edição profissional até a versão final do texto;
- 500 USD pela reportagem finalizada;
- até 500 USD adicionais para viagens e despesas de apuração.
Total: até 1.000 USD por pessoa.
As histórias serão publicadas nos canais digitais da Climate Tracker América Latina e distribuídas à nossa rede regional de veículos aliados, com mais de 70 parceiros.
Se você deseja publicar em um veículo para o qual trabalhe, , incentivamos que faça isso.
O que buscamos nas pessoas participantes?
Valorizamos motivação, compromisso e interesse em integrar uma rede latino-americana de jornalismo climático. Na seleção, priorizaremos propostas que destaquem:
- soluções comunitárias para impactos da crise climática;
- liderança de povos indígenas, afrodescendentes, rurais ou costeiros;
- inovação local, organização coletiva ou saberes tradicionais;
- profundidade narrativa e relevância regional;
histórias centradas em pessoas, processos e resultados verificáveis.
Datas-chave
Calendário preliminar:
- Segunda-feira, 5 de janeiro: lançamento da convocatória
- Domingo, 15 de fevereiro: encerramento das inscrições
- 16 a 27 de fevereiro: avaliação e confirmação do grupo de 20
- Semana de 2 de março: início dos webinars (planejados para todas as segundas e quartas-feiras das duas primeiras semanas de março, sujeito ‘a alterações)
- De uinta-feira, 12 de março, até domingo, 15 de março: entrega da proposta de reportagem
- Data a confirmar: anúncio das 4 pessoas selecionadas
- Sexta-feira, 17 de abril: entrega do primeiro rascunho
- Segunda-feira, 11 de maio: entrega final
- Segunda-feira, 18 de maio: sessão de encerramento do programa
Todas as sessões são virtuais, com gravações disponíveis. A participação influenciará na seleção para a fase 2.
As datas a partir de março estão sujeitas a ajustes; enviaremos o cronograma definitivo ao grupo selecionado.
Como se inscrever?
É muito simples: basta preencher o formulário disponível no Airtable antes do encerramento da convocatória.
Solicitaremos:
- dados pessoais e CV;
- uma carta breve de motivação;
- uma proposta inicial de reportagem (ela será refinada durante o programa, mas recomendamos enviá-la o mais clara possível);
- indicação do meio onde será publicada.
Recomendamos propostas viáveis, realizáveis em um mês e com claro foco em soluções comunitárias.
Para se inspirar, veja coberturas anteriores dos programas de Soluções Energéticas Justas e Soluções Climáticas no Chile.
Sobre a Climate Tracker América Latina
A Climate Tracker é uma organização dedicada a fortalecer o jornalismo climático em todo o mundo. Nossa missão é apoiar repórteres, comunidades e meios de comunicação na criação de narrativas justas, diversas e transformadoras sobre a crise climática.
Perguntas frequentes
Em que consiste a fase 1?
São quatro sessões virtuais de aproximadamente 90 minutos, planejadas para todas as segundas e quartas-feiras do dia 02 até o dia 11 de março (datas podem variar). As sessões ficam gravadas.
O que acontece se eu não tiver um veículo para publicar?
Você pode se candidatar! Ter um acordo com um veículo que permita publicar sua reportagem não é um requisito eliminatório. Isso pode somar pontos extras; no entanto, a equipe também avaliará outros aspectos da candidatura, como trajetória prévia, motivação e pitch.
Preciso enviar uma reportagem pronta para concorrer à fase 2?
Não. Basta enviar um pitch — uma sugestão de pauta breve (200–300 palavras) explicando:
- qual história deseja desenvolver;
- por que ela é relevante;
- qual é o enfoque;
- quais fontes pretende acessar;
- qual solução comunitária deseja documentar.
O que é um pitch?
É uma proposta concreta de história enviada a um editor para aprovação. Não é um tema amplo, e sim uma narrativa específica com personagens, ações, resultados e perguntas claras.
Exemplos:
✔ Adequado: Como a comunidade xxx instalou um sistema coletivo que reduziu seus custos de energia elétrica.
❌ Inadequado: A energia elétrica no sul da Argentina.
Preciso ter experiência em jornalismo climático?
Não. Valorizamos interesse e motivação.
O que entendemos por jornalismo de soluções?
Não é ativismo nem comunicação institucional. É investigação jornalística com método, baseada em quatro pilares:
- Resposta: a história deve focar uma solução já em andamento;
- Evidência: mostrar resultados verificáveis;
- Perspectiva: explicar como funciona, quais passos foram seguidos, que aprendizados surgiram;
- Limitações: toda solução tem desafios, que devem ser apresentados com honestidade.
Posso me candidatar se não trabalho em um veículo de comunicação?
Sim. Embora seja dada prioridade a pessoas que publiquem em veículos de comunicação, jornalistas independentes e estudantes do último ano da graduação também podem se candidatar.
Também aceitamos pessoas de áreas afins que desejem se especializar em jornalismo de soluções, narrativas comunitárias e clima.
Posso participar mesmo trabalhando em tempo integral?
Sim. As sessões são semanais e gravadas. Para a fase 2, é necessário ter disponibilidade para reportar em campo e cumprir prazos editoriais.
As histórias devem ser produzidas em território?
Idealmente, sim. O programa oferece até 500 USD adicionais para apoiar deslocamentos e despesas.
Posso inscrever uma história em coautoria?
Não. A convocatória considera apenas inscrições individuais.
Preciso de contatos prévios na comunidade?
Não é obrigatório, mas ajuda na viabilidade da proposta.
Posso propor uma história longe de onde moro?
Sim, desde que seja viável dentro do cronograma.
Que tipo de história NÃO buscamos?
- temas muito gerais;
- histórias sem solução concreta;
- conteúdos centrados apenas em denúncia ou desastre;
- diagnósticos acadêmicos;
- comunicação institucional;
- reportagens inviáveis em um mês.
Minha história pode sair no meio onde trabalho?
Sim — e o veículo terá prioridade de publicação. A Climate Tracker também publicará e distribuirá.
Receberei certificado?
Sim — tanto na fase 1 quanto para as pessoas selecionadas na fase 2.
E se eu for selecionada/o e não puder continuar?
A vaga será repassada a outra pessoa bem avaliada.
Posso enviar mais de uma proposta?
Não. Apenas um pitch por pessoa.
Posso enviar uma reportagem já publicada?
Não. A proposta deve ser inédita.
O que acontece após a entrega final?
A reportagem será publicada e você integrará automaticamente a rede latino-americana de ex-fellows da Climate Tracker, com acesso a oportunidades futuras.