Reescrever o clima: jornalismo de soluções para transformar narrativas climáticas

Buscamos 20 jornalistas da Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, México e Peru para integrar uma iniciativa regional que impulsiona o jornalismo de soluções e transforma a maneira como contamos a crise climática, destacando respostas reais que nascem nos territórios.

Na América Latina, comunidades indígenas, afrodescendentes, rurais e costeiras têm colocado em prática respostas concretas diante da crise climática. Mesmo assim, essas histórias quase não aparecem na mídia.

Reescrever o clima é um programa virtual de formação e mentoria organizado pela Climate Tracker América Latina que busca reverter essa tendência por meio do jornalismo de soluções — uma abordagem jornalística rigorosa que investiga respostas concretas diante de algum problema, analisa como funcionam, avalia evidências, identifica limites e contextualiza seu impacto real.

Na primeira fase, os jornalistas participarão de uma série de sessões virtuais. Em um período de três meses, as pessoas selecionadas terão acesso a capacitação especializada, acompanhamento editorial e à oportunidade de produzir reportagens baseadas em soluções comunitárias nos oito países da região.

O objetivo é publicar histórias que mostrem evidências, aprendizados e resultados, permitindo compreender como as comunidades latino-americanas enfrentam a crise climática por meio da ação, organização e justiça.

Crédito: Óscar Bermeo
Reporteo desde el territorio. Foto: Oscar Bermeo

Por que “Reescrever o clima”?

A crise climática também é uma crise narrativa. Durante anos, a cobertura midiática se concentrou quase exclusivamente no desastre, na urgência e no conflito.

O jornalismo de soluções oferece uma alternativa:

  • investiga como uma resposta funciona (ou não);

  • identifica quem a impulsiona;

  • revisa quais evidências existem;

  • examina suas limitações;

  • explica se pode ser replicada em outros territórios.

Este programa promove essa abordagem e a aplica a histórias climáticas comunitárias na América Latina.

Para quem é este programa?

Para jornalistas, comunicadores e repórteres que:

  • trabalham temas socioambientais, comunitários ou territoriais;

  • residem na Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, México ou Peru;

  • desejam fortalecer habilidades narrativas com foco em soluções;

  • buscam produzir reportagens com acompanhamento editorial especializado;

  • tenham disponibilidade para participar das sessões virtuais da primeira fase.

Podem se inscrever jornalistas de redações, independentes, freelancers e estudantes do último ano da carreira.

Também aceitamos profissionais de áreas afins — como sociologia, letras, serviço social ou outras disciplinas ligadas a território, cultura ou meio ambiente — desde que demonstrem interesse real em jornalismo climático e narrativas comunitárias e intenção de publicar em um meio de comunicação.

Foto: Daniel Bertoni - Wikimedia Commons

Como funciona o programa?

Este é um programa totalmente gratuito. A Climate Tracker América Latina é uma organização sem fins lucrativos dedicada a promover um jornalismo climático mais forte na região.

O programa é dividido em duas fases:

Fase 1 – Formação: ciclo de webinars

Por meio de uma convocatória aberta, selecionaremos 20 profissionais dos oito países participantes. Durante quatro semanas, esse grupo assistirá a um ciclo de capacitações virtuais que abordará:

  • princípios e metodologia do jornalismo de soluções;

  • narrativas transformadoras e coberturas centradas em comunidades;

  • investigação e uso de fontes comunitárias;

  • ética e segurança no trabalho territorial;

  • desenho e estrutura de histórias de soluções.

O programa contará com o time editorial da Climate Tracker América Latina e com convidados regionais que anunciaremos em breve.

O pitch

Ao final da fase 1, as pessoas participantes poderão enviar uma proposta (pitch) para uma reportagem inédita.

O pitch consiste em um texto de aproximadamente 200 a 300 palavras sobre uma história concreta, no qual você deverá detalhar:

  • Um enfoque claro: você deve propor uma história específica, e não um tema geral.

  • Possíveis fontes: pessoas, organizações ou comunidades às quais você poderá ter acesso.

  • Relevância da história: por que ela é importante e o que acrescenta ao debate público.

Você pode ler nosso guia sobre como apresentar um pitch à Climate Tracker e assistir ao nosso webinar sobre como falar com um editor ou editora.

Sesiones virtuales con Climate Tracker América Latina

Fase 2 – Mentoria e produção de reportagens

Das 20 pessoas iniciais, selecionaremos 4 profissionais para a fase avançada.

Cada participante receberá:

  • mentoria editorial personalizada;

  • apoio no planejamento do trabalho de campo e da estrutura narrativa;

  • orientação durante investigação e entrevistas;

  • edição profissional até a versão final do texto;

  • 500 USD pela reportagem finalizada;

  • até 500 USD adicionais para viagens e despesas de apuração.

Total: até 1.000 USD por pessoa.

As histórias serão publicadas nos canais digitais da Climate Tracker América Latina e distribuídas à nossa rede regional de veículos aliados, com mais de 70 parceiros.

Se você deseja publicar em um veículo para o qual trabalhe, , incentivamos que faça isso.

Reporteo desde el territorio. Foto: Claudia Zaldaña

O que buscamos nas pessoas participantes?

Valorizamos motivação, compromisso e interesse em integrar uma rede latino-americana de jornalismo climático. Na seleção, priorizaremos propostas que destaquem:

  • soluções comunitárias para impactos da crise climática;

  • liderança de povos indígenas, afrodescendentes, rurais ou costeiros;

  • inovação local, organização coletiva ou saberes tradicionais;

  • profundidade narrativa e relevância regional;

histórias centradas em pessoas, processos e resultados verificáveis.

Datas-chave

Calendário preliminar:

  • Segunda-feira, 5 de janeiro: lançamento da convocatória

     

  • Domingo, 15 de fevereiro: encerramento das inscrições

     

  • 16 a 27 de fevereiro: avaliação e confirmação do grupo de 20

     

  • Semana de 2 de março: início dos webinars (planejados para todas as segundas e quartas-feiras das duas primeiras semanas de março, sujeito ‘a alterações)

     

  • De uinta-feira, 12 de março, até domingo, 15 de março: entrega da proposta de reportagem

     

  • Data a confirmar: anúncio das 4 pessoas selecionadas

     

  • Sexta-feira, 17 de abril: entrega do primeiro rascunho

     

  • Segunda-feira, 11 de maio: entrega final

     

  • Segunda-feira, 18 de maio: sessão de encerramento do programa

     

Todas as sessões são virtuais, com gravações disponíveis. A participação influenciará na seleção para a fase 2.

As datas a partir de março estão sujeitas a ajustes; enviaremos o cronograma definitivo ao grupo selecionado.

Como se inscrever?

É muito simples: basta preencher o formulário disponível no Airtable antes do encerramento da convocatória.

Solicitaremos:

  • dados pessoais e CV;

  • uma carta breve de motivação;

  • uma proposta inicial de reportagem (ela será refinada durante o programa, mas recomendamos enviá-la o mais clara possível);

  • indicação do meio onde será publicada.

Recomendamos propostas viáveis, realizáveis em um mês e com claro foco em soluções comunitárias.

Para se inspirar, veja coberturas anteriores dos programas de Soluções Energéticas Justas e Soluções Climáticas no Chile.

Sobre a Climate Tracker América Latina

A Climate Tracker é uma organização dedicada a fortalecer o jornalismo climático em todo o mundo. Nossa missão é apoiar repórteres, comunidades e meios de comunicação na criação de narrativas justas, diversas e transformadoras sobre a crise climática.

Reporteo desde el territorio. Foto: César Ernesto Hernández

Perguntas frequentes

Em que consiste a fase 1?

São quatro sessões virtuais de aproximadamente 90 minutos, planejadas para todas as segundas e quartas-feiras do dia 02 até o dia 11 de março (datas podem variar). As sessões ficam gravadas.

Você pode se candidatar! Ter um acordo com um veículo que permita publicar sua reportagem não é um requisito eliminatório. Isso pode somar pontos extras; no entanto, a equipe também avaliará outros aspectos da candidatura, como trajetória prévia, motivação e pitch.

Não. Basta enviar um pitch — uma sugestão de pauta breve (200–300 palavras) explicando:

  • qual história deseja desenvolver;

  • por que ela é relevante;

  • qual é o enfoque;

  • quais fontes pretende acessar;

  • qual solução comunitária deseja documentar.

É uma proposta concreta de história enviada a um editor para aprovação. Não é um tema amplo, e sim uma narrativa específica com personagens, ações, resultados e perguntas claras.

Exemplos:
Adequado: Como a comunidade xxx instalou um sistema coletivo que reduziu seus custos de energia elétrica.
Inadequado: A energia elétrica no sul da Argentina.

Não. Valorizamos interesse e motivação.

Não é ativismo nem comunicação institucional. É investigação jornalística com método, baseada em quatro pilares:

  • Resposta: a história deve focar uma solução já em andamento;

  • Evidência: mostrar resultados verificáveis;

  • Perspectiva: explicar como funciona, quais passos foram seguidos, que aprendizados surgiram;

  • Limitações: toda solução tem desafios, que devem ser apresentados com honestidade.

Sim. Embora seja dada prioridade a pessoas que publiquem em veículos de comunicação, jornalistas independentes e estudantes do último ano da graduação também podem se candidatar.
Também aceitamos pessoas de áreas afins que desejem se especializar em jornalismo de soluções, narrativas comunitárias e clima.

Sim. As sessões são semanais e gravadas. Para a fase 2, é necessário ter disponibilidade para reportar em campo e cumprir prazos editoriais.

Idealmente, sim. O programa oferece até 500 USD adicionais para apoiar deslocamentos e despesas.

Não. A convocatória considera apenas inscrições individuais.

Não é obrigatório, mas ajuda na viabilidade da proposta.

Sim, desde que seja viável dentro do cronograma.

  • temas muito gerais;

  • histórias sem solução concreta;

  • conteúdos centrados apenas em denúncia ou desastre;

  • diagnósticos acadêmicos;

  • comunicação institucional;

  • reportagens inviáveis em um mês.

Sim — e o veículo terá prioridade de publicação. A Climate Tracker também publicará e distribuirá.

Sim — tanto na fase 1 quanto para as pessoas selecionadas na fase 2.

A vaga será repassada a outra pessoa bem avaliada.

Não. Apenas um pitch por pessoa.

Não. A proposta deve ser inédita.

A reportagem será publicada e você integrará automaticamente a rede latino-americana de ex-fellows da Climate Tracker, com acesso a oportunidades futuras.

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